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quinta-feira, 16 de maio de 2013

A Guerra Antes da Civilização

“(...) Ao explorarmos a guerra antes da civilização na busca por alguma coisa menos terrível do que as guerras que conhecemos, apenas chegamos aonde começamos com um catálogo muito conhecido de mortes, estupros, saques e terror.
Essa é uma realidade brutal que os ocidentais modernos parecem muito relutantes em aceitar. Eles parecem sempre tentados a fugir dela imaginando que nosso mundo é o melhor mundo de todos os possíveis ou que a vida era melhor quando o mundo humano era muito mais simples. (...)” PP 336-337

As pessoas tendem a achar que o mundo hoje é incrivelmente violento e que quando o homem vivia “próximo da natureza” num “estado mais primitivo” era mais pacifico e tolerante. A antropologia em parte é responsável por divulgar essa percepção. Até alguns anos atrás a idéia que se tinha era que guerras entre tribos e povos antigos eram rituais organizados de forma a causar o menor dano possível.  A verdade é que a violência é parte da natureza humana e desde os primórdios homens se envolviam em conflitos sangrentos.

Em A Guerra Antes da Civilização, Lawrence H. Keeley mostra como a violência faz parte da civilização e como as pessoas organizam guerras através dos tempos. Para isso, ele usa os pontos de vista de Hobbes e Rousseau. O primeiro acreditava que o homem vivia em constante estado de guerra e que a criação de qualquer instituição serve apenas para tirar a humanidade desse estado de brutalidade. Já Rousseau acreditava que em seu estado natural a humanidade vivia em paz e harmonia e que as instituições e o progresso é o que torna o homem violento. 

Em seguida o autor utiliza estudos sobre historia bélica de estudiosos importantes nesse campo para como se desenvolveu a “arte da guerra”. No inicio eram conflitos entre povoados e aldeias, depois entre cidades, e mais tarde entre países, até o ponto de praticamente todo o mundo se envolver em não só em uma mais em duas Guerras Mundiais. Hoje em dia os conflitos armados são mais segmentados e localizados. Mudam as formas de guerra, a quantidade de pessoas envolvidas e as técnicas, mas, como diz o trecho que eu selecionei, o resultado é o mesmo: terror, destruição e morte.  É um retrato muito lúcido de como conflitos moldaram o mundo e as pessoas que vivem nele.

É interessante notar que um empreendimento tão nefasto é responsável por inúmeros avanços tecnológicos e que como sob a bandeira de uma guerra as pessoas se tornam inventivas. Matar pessoas parece ativar a criatividade da humanidade.

É o tipo de livro que destrói a ilusão dos ingênuos e “municia” os cínicos de plantão. Mas, mais que isso levanta questões importantes: se a violência é inerente ao ser humano, como pacificar e manter a paz? Como lidar com a violência urbana? Como punir, como prevenir a violência?

Independente do que eu leio, seja ficção ou não ficção, gosto que o que eu esteja lendo leve a reflexões sobre a vida cotidiana. Esse é um livro assim, que nos faz refletir. Não é uma leitura fácil e às vezes o texto parece ficar repetindo a mesma ideia, só que de formas diferentes (e nessas horas eu lembrei os livros o Norberto Bobbio que eu li), mas a persistência vale a pena, é um livro fundamental.

A Guerra Antes da Civilização – O Mito do Bom Selvagem
Autor: Lawrence H. Keeley
Tradução de Fábio Faria
É Realizações Editora, 2011
400pp

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