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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

62 anos de Nora Roberts !

Há 62 anos nascia Eleanor Marie Robertson, mas conhecida como Nora Roberts. Primeira autora a ser incluída no Hall da Fama do Romance Writers of America, ela começou a escrever como forma de passar o tempo quando ficou presa com os filhos em casa, por causa de uma nevasca. Seus primeiros manuscritos foram recusados pela Harlequin até que outra editora, a Silhouette, aceitou publicar, em 1981 seu primeiro romance, Irish Thorougbred. Nesses 30 anos Nora Roberts já escreveu mais de 200 romances (incluindo aí os títulos escritos sob pseudônimos, sendo o mais importante deles J.D. Robb).

A longevidade de sua carreira deve-se, em minha opinião, ao fato de que ela conseguir ser muito prolífica (ela publica em média cinco livros por ano) e principalmente a sua capacidade de captar as mudanças das mulheres nesses últimos anos.

Seus primeiros livros, nos 80´s, são repletos de mocinhas virgens jovens e inocentes e (às vezes) irritantemente ingênuas e “mocinhos” mais velhos geralmente mais experientes e rasos, que só faziam figuração. As histórias eram basicamente o clássico “moça encontra homens incrível, eles se apaixonam, se conhecem biblicamente, acontece alguma coisa que os separam, eles resolvem o conflito e vivem felizes para sempre”. Apesar da simplicidade das histórias, podemos notar que as personagens já mostravam indícios da personalidade forte que marcariam suas personagens mais famosas. São desse período os livros O Protetor (1983), Canção do Oeste (1982) e A Mulher de Sulivam (1984), todos publicados no Brasil. Talvez as histórias fossem simples e as personagens são “puras” porque nessa década as mulheres estavam numa “ressaca” dos libertários anos 70 e aprendendo a viver com mulheres modernas, mas sentissem saudades do tempo em que podiam (e queriam) esperar um príncipe encantado que resolveria seus problemas.

Isso começa a mudar no final da década de 80 e inicio dos anos 90, quando as mulheres definitivamente ascendem em todas as áreas mundo afora. Essa mulher que se aproxima dos 30 anos é decidida, bem resolvida sexualmente e não se enxerga em personagens quase adolescentes, virgens e inseguras. Surgem as personagens fortes decididas, mulheres que tem empregos que demandam dedicação e que competem em igualdade de posições com os homens. Elas podem já ser divorciadas, viúvas, terem filhos, são mulheres mais do que mocinhas apaixonadas. Percebemos isso nos livros Um Herói em Nova York (1988) e nos livros da trilogia do "Sonho" (1997-1998). Nesse livros, além da mudanças  nos personagens femininos, os personagens masculinos deixam de ser figuração de luxo e passam a ter profundidade, terem o mesmo peso das personagens femininas na história. O ponto de vista dos personagens masculinos se torna tão importante quanto o feminino, o que foi uma inovação nesse tipo de narrativa. Isso levou a romances cujos personagens principais são homens como os que compõem a "Trilogia da Gratidão" (1998-1999) e Três Destinos (2002) A mulherada gostou tanto da ideia, que numa votação feita há alguns anos o livro Movido Pela Maré (livro 02 da "Trilogia da Gratidão", e que tem Ethan Quin como personagem principal) foi eleito um dos preferidos pelas leitoras. Isso acontece porque os homens de Nora Roberts são do tipo “homen-sensível-mas-não-metrossexual” o que quer dizer que sim, eles sofrem têm duvidas sobre o amor, a vida e afins, mas não o suficiente para que você imagine que eles estarão usando seu creme para o corpo e passando base nas unhas. São homens fortes, decididos que encaram as mulheres de igual para igual, ao mesmo tempo em que admiram pernas e decotes. Homens que GOSTAM de mulheres. E a mulherada adora ler sobre homens assim.

Nos anos 90 surge a personagem de Nora Roberts que eu mais gosto: a Tenente Eve Dallas da "Serie Mortal", escrita sob pseudônimo de J.D. Robb. Eu acredito que Nora Roberts é mais uma escritora de Thrillers românticos que de romances propriamente ditos. Acho que ela domina bem a habilidade de criar suspense e de mesclar romance e erotismo na história. Seus livros como J.D. Robb são os melhores e já são 35 títulos (sem contas as histórias curtas, publicadas em coletâneas) eu já li quase todos (falta o último lançado mês passado, Delusion in Death) e vou dizer, recomendo para todo mundo.
Nos anos 2000 Nora Roberts se consolida definitivamente como a grande escritora de romances americana. Seus livros a partir do ano 2000 têm mulheres em profissões diferentes como piloto de avião em Northern lights (2004), detetive da ARSON (departamento da policia que investiga incêndios) em Blue Smoke (2006), treinadora de cães de busca e resgate em The Search (2010) e o meu preferido: paraquedista do corpo de bombeiros, responsável pelo combate a incêndios em Chasing Fire de 2011. Aparecem também mulheres mais velhas em seus romances, coisa que nunca aparecia nesse tipo e literatura. Em Black Rose (2005), a personagem principal tem quase 50 anos e vive um tórrido romance.  

Podemos, através dos livros de Nora Robers, perceber a evolução do comportamento feminino nos últimos anos: daquele ideal de encontrar um príncipe encantando de 30 anos atrás, até o desejo de vencer na profissão escolhida, deixar sua marca, encontrar vários príncipes desencantados até achar o encantado, que mais que ser príncipe, é um parceiro. Ela escreveu sobre a mulher do momento, aquela que compra seus livros. Esse é o segredo para o sucesso duradouro de Roberts: escrever sobre pessoas, sobre a vida “ordinária”. É claro, dar uma coloridinha, um tom “conto-de-fadas”, mas sem fugir muito do plausível. Escrever histórias que as pessoas se identifiquem. E isso ela faz de maneira espetacular. 

Muitos dizem que o que ela escreve não é Literatura (assim, com L maiúsculo), o que é uma bobagem. Para esses ela responde com a definição de escritor que um personagem seu, Gayson Thane no livro Laços de Gelo, faz de si mesmo: “ser um bom escritor significava sustentar-se e fazer o que escolhesse. Ser um grande escritor trazia e expectativas que ele não queria enfrentar”.  Acho que isso diz muito dos livros e da própria Nora Roberts: ela não está preocupada em ser uma escritora “seria”, não pretende ganhar um Nobel. O que ela quer é escrever o que gosta, no ritmo que gosta. Escrever porque acha divertido contar uma história e porque é bom saber que outras pessoas gostaram do que ela escreve. Mas acima de tudo porque ela, como suas personagens, quer deixar sua marca, fazer algo importante para ela e para as outras pessoas. E, ela tem sido bem sucedida nisso!

Um comentário:

  1. Que post bacana.
    Preciso admitir que antes eu tinha um preconceito com literatura para massa, mas hoje eu curto bastante literatura de mulherzinha como Emily Giffin, Cecelia Ahern e etc.
    Acho que são livros tão gostoso para ler. Pode ser considerada uma literatura despretensiosa mas eu adoro...rss.
    Eu queria uma sugestão dos livros de J.D. Robb. Gosto de literatura policial e queira saber se começo a ler pelo livro “Nudez Mortal” ou se você sugere algum outro?

    Abs,
    Lilian

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