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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Duas Vezes Asimov




Eu sempre fui fã de ficção científica. Já escrevi aqui, que a sci-fi profetisa os avanços científicos, inspiras cientistas e futuros cientistas e ajuda a divulgar a ciência. E, apesar de todo meu entusiasmo pelo tema, eu NUNCA tinha lido nada de um dos “papas” da ficção cientifica: Isaac Asimov.

Redimi-me dessa falha nas primeiras semanas do ano lendo na sequência Os Próprios Deuses e O Fim da Eternidade.

Em Os Próprios Deuses conhecemos o cientista Frederick Hallam, que foi alçado a celebridade mundial ao descobrir a “bomba de elétrons”, uma forma de gerar energia limpa de forma ininterrupta e ilimitada. A fim de escrever como realmente funciona essa bomba de elétrons e desvendar como exatamente ocorrem as reações químicas, que faz com que o Tungstênio decaia em plutônio 186 (a base a bomba de elétrons), o escritor e cientista Peter Lamont começa uma pesquisa que revela que muito dos dados referentes à história da bomba sumiram ou foram deliberadamente alterados. Para aumentar ainda mais o mistério, a maioria das pessoas envolvidas direta, ou indiretamente, na operação da bomba de elétrons se recusam a comentar qualquer coisa sobre o dispositivo. O que eles estão escondendo? Será que a descoberta que possibilitou um desenvolvimento sem precedentes na história da humanidade não é exatamente o que a humanidade imagina? Nesse livro, Asimov une química, física nuclear, e espionagem para criar uma história incrível sobre manipulação de informação, busca pela verdade e universos paralelos, para criar uma história que intriga e empolga desde a primeira pagina.

O Fim da Eternidade conta a história de Andrew Harlan, técnico da “organização” Eternidade. Como um Eterno, ele pode viajar pelo tempo e sendo um Técnico, está apto a fazer, sempre que necessárias, pequenas alterações no fluxo do tempo, matematicamente calculadas para interferir de forma benéfica na evolução da humanidade. Ele leva isso tudo muito a sério até conhecer a deslumbrantemente misteriosa Noys Lambert.

Ele se apaixona por ela e quando descobre que a próxima alteração no fluxo do tempo que irá fazer pode resultar no desaparecimento de Noys, ele começa a quebrar algumas regras pra tentar salvá-la.
O que parecia só alguns “desvios” em nome do amor, se torna uma coisa bem mais complicada. Ele acaba descobrindo que os mistérios que Noys esconde são muito mais perigosos do que aparentemente pareciam.

O Fim da Eternidade tem uma narrativa mais linear que Os Próprios Deuses e o toque de romance destoa um pouco dos outros livros que Asimov escreveu. Mas para mim (até agora), é o mais legal dos livros dele (ok eu só li dois, mas…). O tema da viagem no tempo e na possibilidade de mudar os acontecimentos tem um apelo irresistível.

O que eu mais gosto nesses livros é perceber como Asimov era genial: numa época em que universos paralelos e viagens no tempo estavam somente no campo da literatura, ele já escreve sobre esses assuntos de forma séria e cientificamente embasada. Gosto de pensar de mesmo tendo morrido em 1992, ele tenha visto que cientistas que já iniciavam pesquisas sobre esses temas. É uma pena que ele não tenha vivido o suficiente para ver que hoje em dia tanto a viagem no tempo, quanto universos paralelos, são teorias válidas e estão a cada vez mais no campo da ciência real que no da ficção científica.

Os Próprios Deuses
Autor: Isaac Asimov
Editora Aleph, 2010
367 pags.

O Fim da Eternidade
Autor: Isaac Asimov
Editora Aleph, 2010
255 pags.


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