E-mail

ATENÇÃO! NOSSO E-MAIL MUDOU!!! PARA ENTRAR EM CONTATO, ESCREVA PARA: espanadores@gmail.com



terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sobre ídolos – Um pequeno resumo sobre um bate papo.

Não sou muito de perseguir autores ou ter coisas autografadas, mas ontem me rendi a ficar na fila, ficar de pé e tirar fotinho com exemplar autografado de um meus autores preferidos: Mia Couto. Em um evento ontem Mia Couto e José Eduardo Agualusa (que eu também gosto para deixar claro) Fizeram uma palestra a qual eu consegui cobrir após algumas horas de espera.

No debate não havia nenhum tema proposto, então a mediadora lançou as perguntas diretamente ao público, após Agualusa apresentar Mia Couto, descrevendo-o como um jovem de 35 anos, e Mia Couto retribuir o elogio, em sua postura mais séria, ao citar Agualusa como a principal voz da literatura Angolana atual.

O bate papo rendeu várias perguntas normais como o uso da oralidade na narrativa de ambos, à perspectiva histórica como pano de fundo na literatura africana pós-colonial. Creio que os temas mais interessantes foram o posicionamento de ambos a respeito da veracidade do discurso jornalístico. Ambos defenderam que a tentativa de se fingir acusar à realidade é uma falsa noção. Mia foi até mais incisivo, sendo que está teria sido a principal causa de ter saído do jornalismo, porque a ficção lhe permitia ser mais verdadeiro.

Depois ele resolveu pedir desculpas se tinha algum jornalista na sala que ele poderia estar ofendendo, o que provocou altas risadas no Salão. Contudo a veia humorística já muito conhecida de Agualusa, fazia a platéia volta e meia se estrebuchar em gargalhadas. Quando perguntado do porque deles escreverem tanto sobre mulheres Mia foi um pouco mais burocrático na resposta, Agualusa fora mais direto ao retratar “que havia mais mulheres na vida dele do que homens”, completando com “um dos poucos homens de minha vida é o Mia”, o que aumentou um pouco a timidez já também conhecida de Mia.

Dentro das idéias que pulularam, outra que queria compartilhar é a noção de que África precisa se “desafricanizar”. Essa afirmação polêmica de Mia, mas também defendida por Agualusa, foi recordada e explicada na mesa como o intuito do escritor africano fazer mais Literatura e não simplesmente criar histórias com caráter nacional, pois aí sim é que a literatura anão se desenvolverá. Em exemplo brilhante agualusa citou o paradoxo de um escritor americano que escreve situando a história na África é um homem que pensa o mundo, um escritor senegalês que escreve situando a história em Cuba é um alienado. Senti que passar essa noção talvez seja a principal bandeira dos escritores africanos atuais, contra esse tal “preconceito” literário.

De resto a festa foi ótima, tinha um público realmente interessado em escutá-los o que sempre me conforta. Consegui conversar com Mia um pouco e conversei sobre um assunto que me incomodava desde a saída do último livro, que era exatamente a mudança do título dele de Jesusalém para Antes de Nascer o Mundo. Bem a conversa não dá para reproduzir, mas ele conseguiu me convencer que foi consensual e que o título brasileiro é bom também, mas eu vou continuar a minha campanha para ver ver esse livro publicado com título original um dia. Que alias é um livro muito bom. Para finalizar encontrar um ídolo traz muito frio na barriga, ao começo da palestra ele mesmo disse “que não era um ser iluminado”, o que eu concordo, mas as palavras engasgam para sair na hora, coisa só havia sentido com o Neil Gaiman alguns anos atrás. Tentar reproduzir isso é impossível, mais fica aqui a cobertura sem tentar copiar a realidade.

0 comentários:

Postar um comentário